quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
02/12/08
Os flashes parecem mais frequentes nas noites insones do último mês.Sempre no mesmo horário , naquele momento em que se dorme de olhos abertos , após o pensar sem fim dos dias , em meio à luminosidade fraca do poste na rua , que insiste em entrar pela janela sem cortinas.A menina de cabelo louro-palha , a sala abafada , o ar de temporal , a poltrona de couro marrom , o tapete encardido.E o suor.As pernas da menina coladas no couro pelo suor.Os olhos luzidios e parados , olhos de peixe num aquário muito pequeno.Ela sempre abre a boca , como quem quer contar um segredo; arqueja as costas pequenas e magras numa respiração difícil , os lábios finos brilhando de saliva.Quando fala , tem voz de velha.E o que diz , ecoa longe , como que vindo de outra boca.Porém , o que é aquilo do outro lado?O som vem de fato de outra boca: da velha senhora na cadeira de palhinha , atrás de mim.Ambas falam juntas , e uma para a outra , e eu não existo ali. "Sem mais culpas" , elas dizem. Sem mais culpas , repito só.
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Um comentário:
Gosto desta tua dupla personalidade e do teu texto introspectivo e analitico!
Muito bom!
Vou seguir teu blog e se quiser dar uma olhada tenho outro blog!
Beijos...o cabelim ta precisando de corte ja!=]
http://descobrindopoentes.blogspot.com/
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