Entro no barco e procuro um lugar confortável e com boa vista pra sentar.Não aceno , nem olho pra trás , nem tenho vontade.Lá no porto , fiquei eu também olhando o barco partir , sem choro e sem saudade.Sem saudade também , eu no barco.Junto comigo outra , lá atrás , deixei também todo o lixo , tudo o que joguei fora e não me presta mais pra nada.As emoções passadas , os vícios superados , os traços que não eram meus.Tudo o que me trouxeram e que me dei o direito de recusar , frustração e desamor que não me pertencem , tristeza de outrem , covardia desse , culpas daquele.Nada meu.A lixeira ficou cheia lá atrás , coisas grandes que joguei ali...Ufa!Como é bom seguir viagem leve e sem preocupações.Agora na água , estou no meu caminho e no meu elemento , sou leve , sou brisa , e nada tenho além dos queridos e do amor.Meu auto-amor.Meu amor-fati.Meu amor ao amado.Só levo esses amores leves e minha chave , pra abrir minha porta quando julgar ser bom.Levo meu próprio julgamento , meu código secreto , e guardo tudo na caixinha de prata amarrada ao pescoço.Tudo cabe ali.O meu mundo inteiro.Esse barco é minha casa , essa caixa é meu tesouro e essa chave só tenho eu.E agora tchau , que pra esse porto não volto mais.
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"Há sempre algo de patético nas emoções das pessoas que deixamos de amar."
Oscar Wilde
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