sexta-feira, 28 de agosto de 2009
À margem.Sempre à margem de mim.A identificação da verdade me falta.Meu senso de realidade não é falho , por mais que assim o deseje , e sempre no fim sou eu à estar engaiolado entre os escombros no pôr do sol , destinado à usar droguinhas vagabundas por distração.Não tenho olhos rápidos o suficiente.Todos passam voando ao meu redor e mal percebo o bater de asas frenético quase tocando meu rosto.Ví ontem um menino de rua com um passarinho na mão , um desses pombos sujos que passam doenças.Ele quebrou as asas do pombo.Fez porque quis , eu vi , e é engraçado como o pombo não emitiu som algum.Não sei se pombos tem voz.Ele soltou o bicho no chão e saiu a trote , enquanto o pássaro se debatia inutilmente.Uma mulher velha que passava soltou uma expressão de nojo , e eu não podia mais parar de olhar o pombo.Esperava que morresse , mas não morria , e era uma agonia tão longa , tão selvagem, que sequer poderia pensar em acabar com ela.Até o fim do dia permaneci ali , assistindo ao sofrimento do pombo numa hipnose descabida.Não sei se ele morreu de fato.Talvez estivesse muito cansado ou em choque ou concentrado em tentar morrer.Não sei ao certo qual o nível de inteligência de um pombo.Talvez regule com o meu próprio.Nestes meus olhos lentos guardei o passarinho martirizado e fui embora.Amanhã vou voltar lá pra ver se alguém o recolheu , enterrou , ou se algum cachorro de rua o comeu.No fim, talvez só pra ver como é.Alguém ja quebrou uma parte tua?Minha também não.E não vale essa historinha podre de broken-hearted.Digo quebrar uma parte tua de verdade , com ou sem merecimento.Será que ajudaria a encontrar a verdade?Dá um soco aqui , bem aqui no meu queixo.Também só pra ver como é.
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